Não, não estou a gaguejar, nem tão pouco estou possuída por um demónio desconhecido. Finalmente, posso gritar ao mundo “Eureka”. Passados 20 anos encontrei o filme indiano que marcou a minha infância (ou antes, a minha adolescência, mas vamos supor que não tenho tantos anos assim…).
Não julguem que eu me recordava do nome do filme, até porque se me recordasse, certamente não demoraria tanto tempo a encontrá-lo. Depois de escrutinar toda a filmografia do Amitabh Bachchan (sim, porque com aquela idade, para mim todos os indianos eram iguais) sem qualquer sucesso, e após várias tentativas frustradas de resumir o argumento do filme, no motor de busca do Google, em várias línguas (português e inglês – é plural, é o que conta), eis que finalmente descobri que aquele “indiano manhoso” era o Shashi Kapoor. Tudo bem, que agora o senhor já leva uns anos na conta, mas aqueles olhinhos de carneiro mal morto, fizeram-me suspirar quase tanto quanto suspirei pelo Patrick Swayze, no Dirty Dancing (Lá vai a Paula dizer que sempre tive mau gosto, no que diz respeito ao sexo oposto. Mas minha linda, antes do Gerard Butler já existia mundo)
Na altura apaixonei-me pela história e pela música, que cantava incessantemente (o mesmo está a acontecer desde ontem, data da minha redescoberta). Confesso que na altura só conseguia proferir uns “ahyaammm xivamm undarammmmmmmm”, e que após estes anos todos descobri que afinal os sons correctos seriam “Satyam Shivam Sundaram”. Oh Deus, espero que nenhum miúdo/graúdo indiano se tenha cruzado comigo naquela altura… Os vizinhos bem se queixavam, mas eu não dava tréguas. Longos foram os dias dos “hamms, hemmms e hummmms”, pelo menos para a vizinhança.
Entretanto, passei pela fase do amadurecimento (gosto de pensar assim), sem nunca esquecer o cinema indiano, até que descobri o Salman Khan, aí passava a salame e whisky, dia sim, dia sim senhor (mas isso é uma história que terá de ficar para outra oportunidade).
Acontece que ontem, precisamente, e como já referi, sacrifiquei o meu domingo em busca deste filme, altamente dramático, que provavelmente foi o responsável pela destruição dos meus sonhos musicais. Mas não vou deprimir.
Encontrei-ooooooo e vou vê-lo e ouvi-lo incessantemente, apesar de saber que daqui a uma semana já estarei farta de o ver, de o ouvir e de o cantar (ou tentar).
A todos aqueles que têm 3 horas disponíveis, aconselho-os a ver esta obra-prima, que “só” dura 2h40, mas os restantes 20 minutos já estou a contabilizar para a limpeza das lágrimas e das bogas (como se diz na minha terra).
Deixo-vos com a música da Lata Mangeshkar, que acredito me fez perder alguns amigos, mas com a certeza de que fiquei com aqueles que valem a pena (ou não..)


