
Como é já habitual nesta altura do ano rumei ao sul, armei a minha jangada, juntei os meus trapinhos e lá vim eu por aí a baixo. De modo que agora vos escrevo a partir de outra latitude, portanto não me responsabilizo por quaisquer barbaridades, que eventualmente possam surgir à medida que discorro o meu discurso, pois é tudo uma questão geográfica. Vou deixar-me de divagações e regressar ao percurso original.
18 de Julho, 6h30 da matina (tinha-me deitado há 4 horas atrás) toca o despertador, toca, toca.. (malvado) que vontade de o atirar contra a parede, mas como pessoa civilizada que sou resisti à tentação, e dormi mais 20 minutos (afinal quem manda, eu ou o desgraçado do despertador?!). Toca a juntar os trapinhos enfiá-los na Jangada de 4 rodas e zarpar. Lá vim eu, sempre a abrir, com os cabelos ao vento e umas olheiras de meter medo (benditos óculos de sol). Fomos ultrapassados milhares de vezes, mas o que interessa é chegar inteiro - Praia aqui vou euuuu. Chegámos famintos, pousámos as tralhas e apanhámos o comboio para a beach. Com o atravessar do deserto, no expresso do oriente (quase tão rápido), crescia a vontade de penetrar neste mar de águas quentes (pelo menos mais quentes que as do norte), eis que ao chegar ao areal deparámo-nos com o mar ao longe (maré baixa), a caminhada continuava em perseguição do nosso objectivo (molhar os pés). Depois de percorrer vários quilómetros, fomos finalmente baptizados, era um papar de ondas sem fim. Após esta longa jornada, quedámo-nos fatigados, numa longa espera pelo dia seguinte.
19 de Julho (o dia seguinte), já sem despertador – Aleluia. Nada como acordar com o cantar do galo. Tudo a postos para partir rumo à praia, que por acaso fica para sul. Novamente o mesmo percurso: deserto, comboio, areal e mar. Desta feita, maré cheia recheada por umas ricas algas, parecia um caldo verde gigante. Encontrei uma alforreca, que emoção! Tudo corria nos conformes, como é, suposto quando estamos de férias. De regresso a casa, à quietude, ao sossego dos passarinhos, até que resolvi partir à aventura. Nada como um joguinho de volley para estragar as nossas férias, além de quase nem conseguir respirar (é evidente que não sou uma desportista), ainda consegui “enforcar” um dedo.
20 de Julho (ainda estou in pain desde ontem). Oito da matina, não vejo o sol, que se passa? Nuvens por todo o lado, mas nada nos assusta, viemos para fazer praia, e é praia que vamos fazer. Biquini (checked), calção (checked), t-shirt (checked), sandálias (checked), depois de estar tudo nos conformes lá fomos nós a travar uma dura luta com S. Pedro, contra tudo e contra todos, principalmente, contra todas as nuvens que ameaçavam rebentar, sobre as nossas cabeças, a qualquer momento. O certo é que S. Pedro ficou do nosso lado e as nuvenzinhas malvadas desapareceram.
E vivemos felizes para sempre… até agora!!!