quarta-feira, 8 de julho de 2009

Cá nesta ilha, tudo é Regional...


Hoje vou deixar-vos um diálogo entre dois cidadãos madeirenses, espero sinceramente que compreendam mas acho que vai ser complicado, até porque vou tentar escrever com sotaque. Ainda estive tentada a colocar uma imagem das casinhas de Santana, mas é um cliché, e eu gosto de ser diferente, portanto deixo-vos com uma visão do Rabaçal.


Estávamos em Janeiro época para plantar umas semilhinhas, a Maria e o Manel, puseram mãos à obra, pegaram na enxada, na foice e na podoa, e lá foram pa fazenda plantar umas semilhas.
- Ah Maria, acho que agente devia ter trazido uma vaginha pa prantar, ca nossa tá acabando.
- Olhia, tamém já nã se tem abóbras, temos que fazer uma caseirinha. E se se prantasse umas pimpinelas e uns bogangos, também nã era mal pensado.
- Havia-se de ter trazido a canalhia pa ajudar, tou a ver que nã se sai hoije daqui.
- Coitadinhes dos piquenes, o Nélso tava cheio de bogas, deve tar a chocar uma gripe, e a Crestina tava renhindo, ainda por cima começou a fazer modilhos, fiquei cuma reina, dei-lhe um carrelaço, que até ficou cum mamulho que mete medo.
- Esta canalhia d’ hoje em dia é toda rebrolucionária, se agente fala com eles nunca atermam nada do que agente diz, ah rapariga, nã se pode dizer nada, eles têm que dar sempre o seu quinau. Trouxeste o canjirão do vinho, nã vieste a derramar isso por í acima, poi não?
- Ah sê tarraço, só pensas em meter o canjirão às beiças, mas olhia que tamém tá-me a dar uma roeza.
- Isso come pra baxo piquena, pa ver s’ enches essas pilhancas. O levadeiro nunca mais passa, tenho que falar com ele por causa da água de rega. Chega-me aí um punhado de guano pa meter neste rego, só metes em cima das semilhas e quando é preciso nã pões.
- Ah rapaz, não há quem t’ature. Tamém vou semear umas maçarocas neste poio, a ver se nasce alguma. Já tou toda ensebada, passo a vida a trabalhar, quando chegar a casa vou comer um prato de milho, c’um filhete de espada que me vou consular.
- Olha os estrangeiros a passear na levada, que boa vida. Puseste o gaiado a secar?
- Já tá há três dias, mas as vespas nã no largam, nã sei se desaparece antes de secar. Já ando é com umas saudades de comer uma espetadinha.
- Tenho que falar a um home pa me vir matar a bezerra, também já tá na altura. Mas quero ver se arranjo um home de jeito c’o último trambicou-me. Pega na vasilha e vai tirar o leite à vaca, que eu acabo isto sozinho.
- Ai tou estafada, este sol tá me matando.
- Não morras aqui, senão ainda faço adubo pa meter nos regos.
- Ah seu estepilha, o sol tamém tá te lixando a moleirinha. Vou tirar o leite à vaca, queres que espere um pedacinho por ti antes de ir pra baixo?
- Vai levar o leite à máquina e cozer a ceia, que os piquenos devem tar com uma roeza. Tou acabando isto, e depois vou-me embora tamém.
O casal acabou o dia de trabalhos e voltou para casa.
Tentei escrever com sotaque, contudo nem todas as palavras estão com sotaque porque seria ainda mais difícil de entender aos estrangeiros. Obviamente, faltam aqui alguns termos usados por nós madeirenses, mas fica o essencial. Porque também já ouvi alguém dizer: “A Madeira é outro país”, sou orgulhosamente portuguesa, apenas com um vocabulário mais vasto… =)
Vemo-nos por cá!

1 comentários:

Paula disse...

and my favourite one is: a Crestina tava renhindo, ainda por cima começou a fazer modilhos, fiquei cuma reina, dei-lhe um carrelaço, que até ficou cum mamulho que mete medo. looooooooool